Dr. Gustavo Yacoub Talauskas
  médico veterinário
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Alergia à pulgas e carrapatos.
Mito ou verdade?

Alergia à pulgas e carrapatos está entre as causas mais freqüentes de coceira em cães e gatos. Sempre que uma pulga ou carrapato pica seu animal, ela injeta uma pequena quantidade de saliva dentro da pele. Os cães e gatos podem desenvolver alergia a substâncias que existem na saliva destes parasitas e reagir com coceira intensa. Aparentemente não há predileções para sexo ou raça e pode acometer animais de qualquer idade, mas é raro o desenvolvimento de sintomas em animais com menos de seis meses. A época mais comum para o surgimento da DAPE (Dermatite Alérgica à Picada de Ectoparasitas) situa-se entre 3 e 5 anos de idade.

Nos cães os sinais comumente observados são mordeduras e prurido ao redor do ânus, na base da cauda – que se estende para a região das costas, nas coxas, abdômen e pescoço. As lesões são avermelhadas, seguidas por um prurido crônico, queda de pêlos, crostas e enegrecimento da pele. Sinais cutâneos generalizados podem aparecer em animais severamente hipersensíveis. Nos gatos, são observadas áreas com perda de pêlos e coceira, mas com mais freqüência é possível sentir crostas e protuberâncias ao redor do pescoço e no dorso.

O diagnóstico diferencial inclui outras doenças alérgicas, como hipersensibilidade alimentar e atopia. O diagnóstico definitivo é baseado no histórico, exame físico e principalmente resposta à terapia, que consiste na remoção total de parasitas com o uso de produtos específicos. A morfologia e a distribuição das lesões são bem sugestivas. A presença de pulgas ou de seus dejetos é também um achado útil, mas a sua ausência de modo algum impede o diagnóstico, uma vez que banhos recentes podem removê-las. Deve-se ressaltar que a presença de um único parasita por poucas horas pode provocar toda sintomatologia.

O tratamento é constituído no controle das pulgas e carrapatos, associado ao uso de medicamentos para se controlar o prurido, para que haja uma diminuição da reação de hipersensibilidade e com conseqüente melhora dos sintomas. Quando diagnosticada uma dermatopatia secundária a DAPE, a mesma também deverá ser tratada.

A eliminação das pulgas e carrapatos terá importância singular no tratamento, devem ser eliminados tanto do animal como do ambiente. O ambiente poderá ser pulverizado com produtos específicos para este fim. Para o animal existem diversas formulações tópicas (pour-on e spray), seguras e de grande conveniência de aplicação, disponíveis no mercado.

Consulte o veterinário de sua confiança para que ele possa diagnosticar, tratar e prevenir de uma maneira segura para o seu animal de estimação.

Dr. Gustavo Yacoub Talauskas

Artigo publicado na revista Nossa Revista
em fevereiro de 2009.

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